sábado, 24 de julho de 2010

Noites, estranhas noites, doces noites!


A grande rua, lampiões distantes,

Cães latindo bem longe, muito longe.

O andar de um vulto tardo, raramente.





Noites, estranhas noites, doces noites!

Vozes falando, velhas vozes conhecidas.

A grande casa; o tanque em que uma cobra,

Enrolada na bica, um dia apareceu.





A jaqueira de doces frutos, moles, grandes.

As grades do jardim. Os canteiros, as flores.

A felicidade inconsciente, a inconsciência feliz.





Tudo passou. Estão mudas as vozes para sempre.

A casa é outra já, são outros os canteiros e as flores

Só eu sou o mesmo, ainda: não mudei!

AUGUSTO FREDERICO SHIMIDT


V (Sonetos)

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